A Rússia decreta a criação de mais 2 Distritos Militares em preparação para Guerra. Todos os detalhes

Observando a expansão otaniana e como reação a este revés, Vladimir Putin anunciou que aumentaria as suas forças ao longo da fronteira ocidental.

Em 27 de março de 2023, o parlamento húngaro aprovou a candidatura da Finlândia com um “SIM” para a adesão à Aliança do Atlântico Norte, a OTAN, jogando o bastão para a Turquia, que também havia rejeitado a entrada dos finlandeses.

Passaram-se quatro dias após este “SIM”, em 31 de março, o parlamento turco aprovou a adesão da Finlândia à OTAN, abrindo caminho para aderir à aliança. Foi então que em 4 de abril de 2023, o Ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlüt Çavu?o?lu, entregou o documento de aprovação da participação da Finlândia ao Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, em Bruxelas.

Oficialmente a Finlândia se tornou então o 31° membro oficial da Aliança, exatamente 74 anos após a assinatura do Tratado do Atlântico Norte que estabeleceu a OTAN, expandindo assim mais 600 Km a leste e quase 1 mil Km de extensão de fronteira com a Rússia. A bandeira do País foi hasteada simultaneamente na sede da OTAN, em Bruxelas, e na sede do Comando de Força-Conjunta da OTAN em Norfolk, na Virgínia.

Observando a expansão otaniana e como reação a este revés, Vladimir Putin anunciou que aumentaria as suas forças ao longo da fronteira com a Finlândia se a OTAN enviasse tropas para o País, bem como em Dezembro de 2023 disse que a Rússia seria forçada a criar o Distrito Militar de Leningrado, aumentando os olhos e os músculos contra a Aliança.

Mas nada aconteceu, não até outra nação ser aceita na OTAN. Na tarde de segunda-feira, 26 de fevereiro, o parlamento da Hungria votou “SIM” a favor da candidatura da Suécia para aderir à OTAN. O porta-voz do governo húngaro, Zoltan Kovacs, postou nas redes sociais afirmando que “a Hungria tem interesse na segurança da Europa e tenho certeza de que na Suécia temos um aliado forte e confiável que beneficiará para melhor o futuro da OTAN”.

Com base neste novo passo dos aliados ocidentais e cumprindo os alertas anteriores, o presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto de nove (9) páginas sobre o restabelecimento dos distritos militares de Moscou e Leningrado. O documento foi publicado no portal oficial de informações jurídicas, tornando também as repúblicas populares de Donetsk e Luhansk, as regiões de Zaporizhzhia e Kherson parte do Distrito Militar do Sul já existente.

Para entender esta complexa estrutura e organização militar da Rússia é preciso entender o que são Distritos Militares Russos e o seu histórico. Os distritos militares na Rússia servem como divisões administrativas das Forças Armadas Russas. Cada qual tem um comando, chamado de quartel-general, que administra as formações militares dentro dos oblast ou federações da Rússia.

Antes da nova conformação anunciada por Vladimir Putin, existiam quatro distritos militares, sendo eles, o Ocidental, o Central, Oriental, e o Sul, no entanto, existia a região da Frota do Norte que operava como um comando estratégico conjunto, propriamente um quinto distrito militar.

Após a dissolução da União Soviética, a Rússia herdou oito (8) Distritos Militares e 1 Região, a de Kaliningrado. Com o tempo alguns distritos foram fundidos e outros extintos à medida que investimentos e novas estruturas administrativas-organizacionais foram se consolidando na Rússia.

Foi então que surgiram as operações de invasão da Rússia sobre a Crimeia e o apoio irrestrito às forças de oposição ucraniana nos centros de Donbass em meados de fevereiro e março de 2014. Através de uma operação relâmpago a Rússia dominou as regiões, e em abril de 2014, o Distrito Militar do Sul foi ampliado para incluir os territórios então disputados da República da Crimeia e de Sevastopol após a anexação russa da Crimeia, mantendo assim quatro distritos.

Posteriormente, em 15 de dezembro ainda de 2014, a Frota do Norte da Marinha Russa foi removida do Distrito Militar Ocidental e os limites da sua jurisdição expandidos para formar o Comando Estratégico Conjunto da Frota do Norte como destacado no início sobre o Distrito, agregando então os Oblasts de Murmansk, Arkhangelsk e numerosas ilhas russas no Oceano Ártico.

Então, em 2023, as autoridades russas anunciaram que os Distritos Militares de Moscou e Leningrado seriam reativados no decorrer do ano, fato que não aconteceu. No entanto, em 26 de fevereiro, o presidente russo assinou o decreto, dois novos distritos surgiram, e o Comando Estratégico Conjunto da Frota do Norte foi definitivamente extinto.

O primeiro aqui para discussão é o Distrito Militar de Leningrado que inclui agora as repúblicas da Carélia e Komi, o Okrug Autônomo de Nenets, a cidade de São Petersburgo, bem como as regiões de Arkhangelsk, Vologda, Kaliningrado, Leningrado, Murmansk, Novgorod e Pskov.

Ainda no decreto, Putin criou o Distrito Militar de Moscou que inclui as regiões de Belgorod, Bryansk, Vladimir, Voronezh, Ivanovo, Kaluga, Kostroma, Kursk, Lipetsk, Moscou, Nizhny Novgorod, Orel, Ryazan, Smolensk, Tambov, Tver, Tula e Yaroslavl, bem como a capital Moscou.

Os novos distritos incluíam regiões que anteriormente pertenciam ao Distrito Militar Ocidental e à Frota do Norte. As repúblicas populares de Donetsk e Luhansk, as regiões de Zaporozhye e Kherson, propriamente a denominada pelos russos de República da Crimeia se tornaram parte do Distrito Militar do Sul.

Sendo assim, no Distrito Militar Sul foi estabelecido uma divisão administrativa-militar que inclui as áreas da Ucrânia e as Repúblicas russas da região do Cáucaso. Com o surgimento dos territórios ocupados, o Distrito Sul deverá receber oficialmente o 1º e o 2º Corpo de Exército das repúblicas não reconhecidas, que já estão sob o controle da Federação Russa, terá então cerca de 160 a 200 mil homens.

Putin disse em Dezembro de 2023 que a Rússia foi forçada a criar o Distrito Militar de Leningrado devido à adesão da Finlândia à OTAN. Com este documento jurídico a nova conformação militar da Rússia deve ser vista a partir de 1° de março.

Sendo assim, podemos concluir que a nova divisão e reorganização do exército russo estão associadas a uma revisão do equilíbrio de poder, que está a ocorrer após a adesão da Finlândia à OTAN e a potencial adesão da Suécia à Aliança do Atlântico Norte, visando melhorar a capacidade de combater operações terrestres em grande escala ao longo da fronteira finlandesa e no teatro de operações militares do Báltico.

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Felipe Moretti
Felipe Moretti
Jornalista com foco em geopolítica e defesa sob registro 0093799/SP na Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia. Especialista em análises via media-streaming há mais de 6 anos, no qual é fundador e administrador do canal e site analítico Área Militar. Possui capacidade técnica para a colaboração e análises em assuntos que envolvam os meios de preservação e manutenção da vida humana, em cenários de paz ou conflito.
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