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A venda do NAe São Paulo gerou cobiça e um alerta dos analistas

Em 29 de janeiro de 2021, sob edição do Diário Oficial da União, a Comissão da Licitação informou que três empresas estavam habilitadas ao leilão de venda da plataforma naval brasileira classificada como sucata e conduzido pela estatal EMGEPRON, sendo a Rota Shipping Inc, Sok Denizcilik ve Ticaret e a Aratu Serviços Marítimos, as duas primeiras da Turquia.

E conforme ao divulgado pela Orbis Defense Europe, o NAe São Paulo está sendo alvo de um possível plano de recuperação para uso como plataforma de treinamento aeronaval, um desvio importante da ótica de desmantelamento de sucatas disposto no leilão de venda do Brasil.

A informação não é oficial, mas a pretensão do plano é sugerida com seriedade pelo ex-comandante da Marinha turca, contra-almirante Mustafa Cihat Yayci, que ainda goza de muita influência nos meios militares e atua extra-oficialmente como consultor naval estratégico em diversos setores dos interesses navais turcos e de seus aliados do Oriente-Médio.

Entretanto, a embarcação São Paulo despertou cobiça e um alerta pelos analistas pelas dimensões que tais processos de recuperação poderiam ocasionar a região do Mediterrâneo. Para o contra-almirante, o NAe São Paulo servirá como trampolim às operações turcas por todo o Mediterrâneo, muito possivelmente que seja implantado o caça Sukhoi Su-33 Flanker de origem russa como alternativa à aeronave a ser utilizada na plataforma naval,  nada obstante, o custo unitário do caça de combate está em torno de 60 milhões de dólares.

A adaptação seria a peça primordial do quebra-cabeça que gira em torno do problema de direito de navegação e domínio das ilhas presentes no Mar Egeu.

Para entender melhor, as disputas atuais pela soberania e áreas de jurisdição sem especificar a sua delimitação, está na origem da disputa entre a Grécia e a Turquia por estes territórios, e ao ascender e disponibilizar uma plataforma aeronaval ímpar em operar por longas distâncias no mar com caças e meios marítimos, afasta as chances da Grécia se sobrepor às áreas jurisdicionais turcas.

Talvez a Turquia siga o bom e velho exemplo do porta-aviões soviético e ucraniano Varyag, que também seria sucateado, enquanto foi comprado pela China e anunciado para ser usado no treinamento de pilotos como parte de seu programa de treinamento e pesquisa.

Hoje, a classe soviética deu vida à classe chinesa Liaoning, e a embarcação recebeu o mesmo nome da classe, que opera quase que plenamente em suas funções e é um fator de desequilíbrio na geopolítica do Mar do Sul da China.

Originalmente, o Varyag era um porta-aviões soviético multiuso da classe Almirante Kuznetsov. Foi lançado em 4 de dezembro de 1988. Com um acordo entre a Rússia e a Ucrânia, o navio foi deixado como espólio da ex-URSS para a Ucrânia em 1993. As obras de construção do navio foram interrompidas em 1992, quando estava 67 por cento concluídas, devido as questões de custo.

O navio foi colocado à venda em leilão. Não tinha motores nem sistema de direção. A Grã-Bretanha chegou a comprar o navio para sucata em 1996.

No entanto, o contrato foi posteriormente cancelado pela Ucrânia, e o navio foi vendido a uma empresa de turismo de Macau, a “Agencia Turistica e Diversoes Chong Lot Limited”, por US$ 20 milhões em 1998, com a condição contratual que não fosse utilizado para fins militares.

Para não ser usado como navio de guerra, seus sistemas eletrônicos e fonte de alimentação foram desmontados pela Ucrânia. Porém a China, tão óbvio quanto o nascer do sol, não cumpriu o contrato e a o resto da história todos conhecem.

Segundo denúncias das mídias russas na época, a empresa de turismo em questão era uma empresa de fachada e o navio ingressaria na Marinha chinesa. A mesma afirmação foi repetida por publicações internacionais de defesa e foi enfatizado que a China queria o navio para obter tecnologia de porta-aviões.

Em círculos informais de analistas de defesa e estudiosos da geopolítica naval, o assunto era amplamente comentado, e parece que estamos vendo a novela se repetir dessa vez com o Nae São Paulo. Contudo, os analistas da época estavam corretos, a China absorveu a tecnologia soviética e, em 2017, lançou o porta-aviões Shandong, a primeira embarcação produzida na China, e a segunda da classe Kuznetsov ou Liaoning, que fora construída no famoso estaleiro chinês Dalian Shipyard.

Para enfatizar o acelerado avanço da tecnologia chinesa no quesito embarcação aeródromo, estima-se que ainda neste ano a segunda embarcação da classe seja lançada e, em 2023 comissionada, num passo regular que a cada 4 anos um porta-aviões chinês seja produzido.


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