HomeÁsiaEntendendo o acordo estratégico Irã-China de 25 anos

Entendendo o acordo estratégico Irã-China de 25 anos

Irã estreitou ainda mais os laços com a China em 2016, após receber diplomatas chineses e buscar soluções contra as sanções americanas ao ponto de pactuar um acordo de 25 anos em 27 de março de 2021

O comércio entre Irã e China remontam pelo menos 200 a.C. Seus laços culturais e econômicos foram cultivados ao longo da antiga Rota da Seda da Ásia. No século 13, eles foram brevemente consumidos pelo Império Mongol.

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Ambos os países, governados por sucessivas dinastias por mais de dois milênios, testemunharam revoluções no século 20 – China em 1949, Irã em 1979 – que transformaram a Ásia e desafiaram a ordem internacional dominada pelo Ocidente.

O Programa de Cooperação Irã-China ou Parceria Estratégica Abrangente de 25 anos foi um acordo de cooperação política, econômica e militar de 25 anos sobre o desenvolvimento das relações Irã-China assinado em Teerã pelos ministros das Relações Exteriores da China e do Irã em 27 de março de 2021.

File:Wang Yi and Mohammad Javad Zarif at the Ministry of Foreign Affairs of Iran 2021-03-27.jpeg
Mohammad Sadegh Nikgostar

O acordo de 25 anos entre o Irã e a China que ganhou as manchetes no mês passado (março) está longe de ser novo. Foi anunciado pela primeira vez em 2016 durante uma visita de estado do presidente Xi Jinping a Teerã, em um momento em que as sanções ao Irã estavam sendo levantadas como parte do acordo nuclear de 2015.

Presidentes iraniano e chinês Hassan Rouhani e Xi Jinping fazem uma revisão de tropas durante a cerimônia em Teerã, Irã, janeiro de 2016
AFP 2021 / Stringer

Autoridades chinesas e iranianas vêm trabalhando nos detalhes do acordo desde então, como parte de um lento processo de consultas e negociações.

Na época, em 2016, após a reunião, Rouhani anunciou que Pequim e Teerã pretendiam estabelecer laços econômicos de até US$ 600 bilhões em dez anos. Na reunião dos dois chefes de estado, foram assinados 17 acordos, que, além da economia e da energia nuclear, também diziam respeito à cooperação em segurança. “Com a visita do presidente chinês a Teerã, começa um novo capítulo nas relações entre os dois países”, disse Rouhani após o encontro.

Este processo foi, sem dúvida, complicado pela repentina incerteza criada pelo abandono de Washington do acordo nuclear de 2015 e a decisão de reimpor sanções ao Irã de 2018 em diante.

No entanto, as negociações entre o Irã e a China se aceleraram novamente à medida que as tensões EUA-China aumentaram e Pequim começou a procurar maneiras de reagir ao que chama de “intimidação” americana, como as sanções extraterritoriais impostas ao Irã.

O momento do último anúncio sobre o acordo estratégico de 25 anos é, portanto, menos sobre os desenvolvimentos nas relações entre Pequim e Teerã e mais sobre a rápida deterioração das relações entre Pequim e Washington.

A China está procurando identificar áreas onde pode cultivar influência, e o Irã é uma oportunidade privilegiada.

O interesse do Irã na Nova Rota da Seda – Belt and Road Initiative (BRI) – da China, um plano de desenvolvimento de infraestrutura global, em particular, é impulsionado por alguns cálculos/parâmetros primários:

1- Oferecer oportunidades econômicas potencialmente consideráveis ​​para o Irã;
2- Fornecer ao Irã um seguro político contra o isolamento internacional no futuro;
3- Tem o potencial de dar ao Irã uma vantagem sobre alguns de seus rivais mais espinhosos, como a Arábia Saudita (que hoje é um grande fornecedor de petróleo para a China do que o Irã); e
4- Embora as relações China-Irã no setor de energia permaneçam relativamente fortes, os laços militares têm grande potencial de crescimento.

Contudo, as relações comerciais de longa data entre o Irã e a China se aprofundaram desde que os EUA impuseram sanções econômicas punitivas à República Islâmica em novembro de 2018.

Mohammad Javad Zarif e Wang Yi em agosto de 2019. Ministério das Relações Exteriores da China

O conselheiro de Estado chinês Wang Yi chamou os dois países de “parceiros estratégicos abrangentes” durante uma visita do ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, em agosto 2019.

Os dois países assinaram um acordo de cooperação econômica e de segurança de 25 anos em março de 2020. “A China é amiga dos tempos difíceis”, disse Zarif depois de assinar o pacto.

Nova rota da seda da China para as próximas décadas passa pelo Irã

O plano de Pequim para implementar o BRI, lançado em 2013, foi muito bem recebido por Teerã desde o início. O projeto, que ligaria a China aos mercados mundiais por meio de um amplo e ambicioso conjunto de rotas comerciais terrestres e marítimas pela Eurásia e mares adjacentes, coloca o Irã no centro dos planos globais da China.

Informações complementares The Diplomat, The Iran Primer, Alex Yacoubian, Middle East Institute, Alex Vatanka, Ministério das Relações Exteriores da China


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Felipe Moretti
Analista militar com foco em mídia de streaming, com experiência superior a 4 anos em plataformas como o YouTube e Revistas Eletrônicas, no qual é fundador e administrador do canal Área Militar. Possui capacidade técnica para a colaboração e análises em assuntos que envolvam os meios de preservação e manutenção da vida humana, em cenários de paz ou conflito.
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