Europa e Mundo – A desinformação pró-Rússia na Bulgária atinge os seus objetivos, dizem os especialistas

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A desinformação pró-Rússia na Bulgária criou uma enorme divisão na sociedade e impede o Estado de tomar rapidamente decisões estratégicas de política externa, disseram os líderes das organizações de verificação de factos mais influentes do país à Euractiv Bulgária.

A Euractiv Bulgária entrevistou Ralitsa Kovacheva (Factcheck.bg), Marina Tsekova (Rádio Nacional da Bulgária) e Rosen Bosev (AFP Factcheck), que sublinharam que a desinformação no país é tão generalizada que influencia facilmente a política nacional.

O mais recente Inquérito Eurobarómetro mostrou que os búlgaros são significativamente menos propensos a admitir que foram alvo de notícias falsas do que a média da UE (Bulgária – 51%, UE27 – 68%). Ao mesmo tempo, apenas 44% dos búlgaros duvidam das informações provenientes das redes sociais, em comparação com a média da UE (60%).

Neste contexto, apenas 11% dos búlgaros apoiam a prestação de ajuda militar à Ucrânia, com resultados semelhantes na Eslováquia e em Chipre. Os três países ocupam o último lugar, em comparação com uma média de 25% na UE27 e o nível mais elevado de apoio registado na Suécia (71%) e na Finlândia (63%).

A Estudo GlobSec mostrou resultados semelhantes no final de maio de 2023.

Nos primeiros dias da agressão russa na Ucrânia, o então primeiro-ministro Kiril Petkov anunciou que pessoalmente apoiava totalmente Kiev, mas citou sondagens de opinião pública para justificar a decisão oficial da Bulgária de não fornecer armas.

A política do país mudou apenas em Junho deste ano, quando o governo mais pró-Ocidente liderado pelo Primeiro-Ministro Nikolai Denkov chegou ao poder.

“A desinformação pró-Rússia criou riscos políticos na Bulgária entre 2014 e 2022, quando começou a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Desde o início da invasão russa da Ucrânia, estes riscos políticos materializaram-se plenamente”, disse o editor-chefe da influente plataforma Fackcheck.bg Ralitsa Kovacheva. comentou.

Fackcheck.bg é especializado em expor as histórias de desinformação mais populares no Facebook, que impactam significativamente a sociedade búlgara. A organização de verificação de factos foi criada sob a égide do gabinete búlgaro da Associação de Jornalistas Europeus.

“As mensagens políticas ajudam a propagação da desinformação e a inacção das instituições proporciona o ambiente para a propagação desimpedida da desinformação”, disse Kovacheva.

Marina Tsekova, que dirige o departamento de verificação de factos da Rádio Nacional da Bulgária, expressou uma opinião semelhante. O departamento estatal de verificação de fatos da rádio é o mais antigo do país.

“As pessoas nos mais altos cargos do Estado instilam o medo, que é a melhor base para notícias falsas e propaganda”, disse ela.

Tsekova argumentou que a melhor saída para esta situação não era convidar certos políticos para entrevistas ou que os jornalistas reagissem a cada tentativa de desinformação por parte do entrevistado.

Na Bulgária, os jornalistas normalmente não reagem a declarações falsas e óbvias de políticos.

Devido à enorme quantidade de desinformação nas redes sociais, Tsekova insta as autoridades a iniciarem sem demora a formação em literacia mediática nas escolas.

Jornalista investigativo Rosev Bosev comentou sobre os danos causados ??pela desinformação russa na Bulgária. Ele trabalha no serviço de investigações digitais e verificação de fatos da AFP.

“Como qualquer desinformação em grande escala, causa sérios danos – confunde os limites entre a verdade e a mentira. E leva o público à conclusão de que “todos são maus”, o que leva à erosão da autoridade, do Estado e das conquistas básicas da democracia, como o Estado de direito e a liberdade de expressão”, disse ele.

De onde vem a desinformação?

Vários estudos sobre a propagação da desinformação na Bulgária mostram que muitas conspirações são importadas. Em muitos casos, as mensagens podem ser rastreadas até ao Kremlin, aos meios de comunicação estatais russos, aos perfis russos e às redes sociais.

“Outra parte é diretamente alimentada pela propaganda ultraconservadora nos EUA”, comentou Ralitsa Kovacheva, acrescentando que a desinformação importada está a ser espalhada e usada para atacar o governo búlgaro.

“Pudemos ver claramente como a desinformação relacionada com a guerra na Ucrânia desapareceu quando não havia um governo regular e apareceu imediatamente quando o instituímos. A desinformação é usada para convencer o público de que a Bulgária não deve ajudar a Ucrânia e permanecer neutra”, afirma Kovacheva.

Marina Tsekova destacou o descaso com o problema da desinformação por parte das instituições.

Ela disse que cada vez que ela e os seus colegas abordavam as instituições depois de terem descoberto narrativas falsas, a reacção era: “Não percam o nosso tempo com disparates”.

Tsekova sublinhou que muitas vezes a desinformação brinca com os sentimentos patrióticos dos búlgaros, sendo a narrativa que a UE age em detrimento dos interesses búlgaros. Ela disse que notícias falsas sobre a UE que pretende proibir os produtos agrícolas búlgaros são frequentemente utilizadas.

Enquanto Bossev destacou que a desinformação específica da Bulgária transmite que os búlgaros viviam melhor antes de 1989, quando o bloco soviético entrou em colapso.

“Pisando na nostalgia de uma parte da população, é irradiado com informações falsas sobre o desempenho da economia, agricultura, saúde, defesa, etc. durante o comunismo”, diz ele, acrescentando que tal narrativa estabelece as bases para propaganda anti-UE e anti-OTAN.

Semelhanças com a Eslováquia

Kovacheva chamou a atenção para as semelhanças entre a Bulgária e a Eslováquia, os países cujos cidadãos menos apoiam a ajuda militar à Ucrânia.

“Em ambos os países, existem partidos políticos influentes que espalham desinformação pró-Rússia há muito tempo”, diz Kovacheva.

Ela nos lembra que durante as últimas eleições na Eslováquia, vencidas pelo partido de Robert Fico, o slogan “chega de balas” foi muito popular. Fazia parte de uma campanha contra o envio de armas para a Ucrânia.

“Absolutamente o mesmo lema é usado na Bulgária. A Bulgária e a Eslováquia têm uma fonte comum de desinformação”, afirma Kovacheva.

[Edited by Alice Taylor]

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