Europa e Mundo – The Brief – Whisky com gelo

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De acordo com os codinomes da OTAN, os submarinos soviéticos do tipo S-363 eram chamados de “classe Whiskey”. Quando um desses submarinos encalhou perto da costa sueca em outubro de 1981, a imprensa mundial de língua inglesa apelidou humoristicamente o incidente de “Uísque com gelo”.

Demorou onze dias para negociar a sua libertação.

Lembro-me vividamente dessa época porque tive a oportunidade de passar alguns meses na Suécia durante a Guerra Fria. Visitei a ilha de Gotland após o incidente do “uísque com gelo”, numa altura em que a imprensa sueca noticiava uma nova série de incidentes com submarinos soviéticos nesta área, embora ainda não tenham sido comprovados.

A Suécia era um país neutro, embora, por ser uma democracia, fizesse, obviamente, parte do Ocidente. Mas naquela altura, os suecos pensavam que estariam mais seguros sendo uma barreira entre a União Soviética e o Ocidente, em vez de serem uma parte formal das estruturas ocidentais.

A situação mudou, a URSS foi dissolvida, a Suécia aderiu à UE em 1995 e está agora em processo de adesão à NATO, enquanto se aguarda a superação dos obstáculos da Turquia e da Hungria.

“Pode haver guerra na Suécia”, disse recentemente o ministro sueco da Defesa Civil, Carl-Oskar Bohlin, provocando uma reacção zombeteira da Rússia.

A declaração foi invulgar porque a Suécia não tinha estado envolvida num conflito armado desde uma breve guerra com a vizinha Noruega em 1814. Permaneceu neutra durante a Segunda Guerra Mundial.

O alerta de que a Europa poderá encontrar-se em guerra com a Rússia no final da década já foi expresso pelo ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius.

A Rússia reagiu com mais força à declaração sueca do que à mensagem altamente invulgar de Berlim, mas a explicação é simples.

É mais provável que a Rússia desencadeie uma guerra num teatro próximo da Suécia, no Báltico. É por isso que minimizou – e zombou – do aviso de Estocolmo.

Já referimos que o Mar Báltico, que costumava ser um lago soviético, é agora maioritariamente águas da NATO. E que, juntamente com o Mar Negro, é hoje um dos lugares mais perigosos do planeta.

Há um contexto histórico profundo, visto que as grandes potências travaram várias guerras no Báltico.

Naquela época, dizia-se que quem tinha poder sobre as ilhas Gotland e Åland tinha poder sobre todo o Mar Báltico.

A estrategicamente localizada Gotland é a maior ilha da Suécia, enquanto Åland é um arquipélago finlandês.

Já informamos que a inteligência militar da Suécia e da Finlândia concluiu que a Rússia tem uma brigada de pára-quedas estacionada no enclave báltico de Kaliningrado, cercada por território da UE, capaz de atacar Gotland e Åland.

Gotland é de importância estratégica na bacia do Mar Báltico. A Suécia teme que, no caso de uma crise ou conflito entre a Rússia e a NATO, a ilha seja ocupada pelas forças russas.

E o mesmo poderá acontecer com Åland. De acordo com os acordos pós-Segunda Guerra Mundial, o arquipélago está desmilitarizado e a Rússia tem lá um consulado, visto por muitos como uma base de espionagem.

Além disso, foi relatado que os cidadãos russos compraram grandes parcelas de terreno no arquipélago e as equiparam com heliportos e docas. Algumas das propriedades estão supostamente localizadas extremamente perto de importantes rotas marítimas.

A Rússia gosta de ter muitos pretextos disponíveis – nunca se sabe qual deles pode ser útil.

Agora que a Finlândia faz parte da NATO, a Rússia está atenta a quaisquer sinais de militarização de Åland, que possam ser usados ??como pretexto para a ocupação das ilhas.

Em quem devemos acreditar: no ministro sueco da defesa civil ou nas zombarias da Rússia que se seguiram ao seu aviso?

Em 15 de fevereiro de 2022, Putin reuniu-se com Olaf Scholz e, após quatro horas de conversações, este último disse que uma solução diplomática sobre a Ucrânia estava próxima. Uma semana depois, a Rússia lançou a invasão da Ucrânia.

Não vamos parecer estúpidos novamente.


O resumo

Teresa Ribera, terceira vice-primeira-ministra e ministra da Energia e do Clima de Espanha, está preparada para assumir um cargo na Comissão Europeia após as eleições da UE em junho, se for nomeada pelo seu governo.

O projecto de lei de “soberania energética” de França, recentemente revelado pelo governo, causou grande agitação pela sua aparente rejeição das energias renováveis, colocadas no final da lista das energias de baixo carbono, atrás da nuclear.

No mês passado, uma coligação de países da UE bloqueou o acordo provisório sobre a Diretiva dos Trabalhadores de Plataformas. Mas enquanto a presidência belga do Conselho da UE pretende utilizar o acordo político como ponto de partida para futuras discussões, Paris pretende uma reformulação mais abrangente do dossier.

A Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais (EMPL) do Parlamento Europeu deu luz verde a um acordo para reforçar a proteção da saúde dos trabalhadores, reduzindo os valores-limite para o chumbo e os diisocianatos, que foi alcançado em trílogos interinstitucionais no ano passado.

Os produtores europeus de biocombustíveis elogiaram a decisão da Comissão Europeia de lançar uma investigação anti-dumping sobre as importações chinesas de biodiesel, considerando-a um passo positivo para parar a devastação económica do sector interno de biocombustíveis da UE.

A UE deveria apoiar mais iniciativas de financiamento direcionadas para tecnologias profundas e quânticas, de acordo com fundadores e estrategas que trabalham no campo quântico em França.

O Fundo Europeu de Investimento (FEI) lançou na sexta-feira um fundo de 175 milhões de euros, denominado Defense Equity Facility (DEF), para impulsionar a inovação na defesa em torno das pequenas e médias indústrias do bloco.

Para mais notícias sobre políticas, não perca o Economy Brief e o Tech Brief desta semana.

Cuidado com…

  • Reunião do Eurogrupo na segunda-feira,
  • Reunião informal de ministros do Meio Ambiente, de segunda a terça-feira.
  • Plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, de segunda a quinta-feira.
  • Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, de segunda a sexta-feira.

As opiniões são do autor

[Edited by Zoran Radosavljevic/Alice Taylor]

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