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Força Aérea finalmente testará o Motor Hipersônico Brasileiro 14-X

O tão aguardado teste de voo do motor do 14-X estava previsto para o ano passado, mas por questões diversas foi adiado e a FAB finalmente testará o projeto do motor.

O termo “hipersônico” significa voo a uma velocidade superior a cinco vezes a velocidade do som, ou Mach 5, algo em torno de 6.100 km/h. No regime de voo hipersônico, surge um novo conjunto de considerações de engenharia com as quais as aeronaves supersônicas não precisam lidar.

Isso inclui aquecimento por atrito e gerenciamento das ondas de choque produzidas pelo dispositivo. E para veículos hipersônicos, as ondas de choque ocorrem muito mais perto do dispositivo do que para sistemas supersônicos.

Vários tipos de aeronaves podem operar em regime hipersônico, por exemplo, um míssil de cruzeiro hipersônico usa um motor ramjet para voar pela atmosfera superior. Mas os veículos planadores hipersônicos passam a orbitar com propulsores convencionais, então desorbitam e deslizam pela atmosfera para alcançar seus alvos.

Em essência, os veículos planadores hipersônicos são incrivelmente semelhantes a aviões espaciais lançados por foguetes como o X-37B da Força Aérea Americana, que entra em órbita, retorna novamente na atmosfera e desliza para fazer um pouso preciso em uma pista.

As grandes potências já chegaram ao patamar de velocidades acima de Mach 10 com plataformas aéreas bélicas adaptadas nas funções de carreadoras de ogivas que impossibilitam a operação de quaisquer sistemas de defesa aérea, ou seja, até o momento, segundo autoridades russas responsáveis pelo sucesso do míssil russo hipersônico Kinzhal, nenhum sistema consegue identificar e neutralizar tecnologia hipersônica com eficiência comprovada.

A impossibilidade de neutralização total se deve a duas principais vertentes, velocidade e capacidade de manobra, e isso desperta interesse há anos de muitas nações, inclusive o Brasil, que está desenvolvendo o 14-X, um projeto de motor SCRamjet de combustão Supersônica Aspirada, uma aeronave não tripulada hipersônica conduzida pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv), uma divisão de pesquisas do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da Força Aérea Brasileira (FAB), em parceria com a empresa Orbital Engenharia, ambos de São José dos Campos (SP).

O tão aguardado teste de voo do motor do 14-X estava previsto para o ano passado na Operação Cruzeiro conduzida a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, com a aeronave hipersônica 14-X comportando-se como carga útil ao Veículo Acelerador Hipersônico (VAH), sendo a função do foguete de sondagem brasileiro VSB-30 que, ao atingir a velocidade de aproximadamente 7.500 km/h na estratosfera terrestre, o ensaio seria iniciado no 14-X.

Após meses de adiamentos, finalmente a Força Aérea Brasileira iniciou os preparativos da Operação Cruzeiro com o envio de materiais do primeiro teste de voo do motor aeronáutico hipersônico 14-X.

É nesta importante Operação Cruzeiro que o lançamento do Veículo Acelerador Hipersônico (VAH), no caso o foguete VSB-30, se efetivará equipado com o motor hipersônico 14-XS.

O foguete VSB-30 é um dispositivo desenvolvido e fabricado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço em parceria com a Alemanha, colocando o Projeto 14-X nas condições de operação estabelecidas de altitude, longitude, latitude e velocidade.

A intenção do comando e controle de Parnamirim, segundo Dermeval Carinhana, Chefe da Divisão de Aerotermodinâmica e Hipersônica do Instituto Espacial em 2020, é buscar nos primeiros ensaios de voo as informações primorosas de telemedida aerotermodinâmicas associados à condição de partida do motor, para validar e otimizar os modelos computacionais e dados experimentais obtidos em laboratório.

Poucos países testaram veículos hipersônicos, mas essa é uma corrida que remonta desde os anos 1960. A primeira aeronave a alcançar a velocidade hipersônica, que começa a partir 6.150 km/h (cinco vezes a velocidade do som) foi o protótipo North American X-15, desenvolvido pela força aérea dos EUA e a NASA. Neil Armstrong, que mais adiante se tornaria o primeiro homem a pisar na Lua, foi um dos pilotos de testes do X-15.

Na atualidade, Rússia e China estão em patamares elevados no setor de mísseis e aeronaves hipersônicas, inclusive, recentemente, os chineses testaram um veículo planador hipersônico com capacidade nuclear, transportado por um Veículo Acelerador, no caso um foguete, que voou em órbita baixa e circulou o globo antes de atingir cerca de duas dezenas de quilômetros de seu alvo.

No dia 28 de novembro, a aeronave C-130 Hércules, operada pelo Esquadrão Gordo, realizou o carregamento dos motores foguetes, componentes pirotécnicos, módulos, empenas, bancos de controle e a carga útil do motor.

Já no dia 29 de novembro, a aeronave KC-390 Millennium, operado pelo Esquadrão Zeus (1º GTT), realizou o transporte das equipes dos Institutos da FAB.

Com isso, o DCTA espera demonstrar toda a capacidade do Brasil em desenvolver um motor hipersônico e foguetes para a realização de experimentos aeroespaciais, já que o projeto do motor tem origens desde 2008, e a importância da tecnologia no cenário internacional mostra que o país e a Aeronáutica estão a décadas de atraso no setor.

Com informações complementares da Força Aérea Brasileira, Felipe Moretti, via Redação Área Militar

 

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