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Grupo paramilitar russo treina e coordena afegãos para sabotagens e resistência contra o Talebã

Cabul, Afeganistão – Desde a retomada acelerada dos diversos vilarejos de difícil acesso em regiões montanhosas e estratégicas, assim como grandes cidades afegãs, incluindo a capital Cabul, pelo grupo fundamentalista e nacionalista islâmico Talibã, os olhos do mundo focaram-se de maneira intensa ao Afeganistão de maneira nunca antes vista, com cada noticia e desdobramento sendo lançados em todas as mídias jornalísticas globais em tempo real.

A retirada das forças militares dos Estados Unidos da América assim como dos seus aliados da OTAN, além das missões diplomáticas de ambas as partes, abriu um leque de oportunidades para as ações mais barbaras e selvagens, assim como as massivas retaliações contra a população civil afegã por parte dos grupos armados do Talibã, deixando homens, mulheres e crianças jogados a própria sorte, sem quaisquer tipos de segurança ou respaldo de justiça.

A explosão causada por um ataque terrorista que vitimou centenas hoje em Kabul mostra o infeliz caminho que as superpotências mal lideradas sob influência do globalismo estão fazendo com povos vendidos aos interesses internacionais e seus militares obrigados a obedecer dentro dos regulamentos. Foto via redes sociais.

A situação tornou-se tão crítica que minorias étnicas afegãs estão sendo eliminadas, em um verdadeiro holocausto diante dos olhos do mundo, como por exemplos a minoria hazara, povo que habita a região central do país conhecida como Hazarajat, com o Talibã realizando chacinas durante os dias 4 e 6 de julho, assassinando ao menos 47 pessoas, com disparos de fuzil na cabeça e seções de tortura.

O cenário interno da nação não apresenta sinais de melhoras a médio ou longo prazo, com milhares de civis possuindo como sua única escolha a extrema pobreza, economia esfarelada, leis e condutas severas do Alcorão e da Sharia segundo a interpretação do Talibã, com a região mergulhando em um misto de anarquia e tribalismo, no qual as relações e aplicações de poderes são realizadas através do terrorismo religioso.

Mapa Comparativo do Afeganistão: Controle / influência do Talibã por área vs. Grupos étnicos predominantes por área. Fonte: Institut Study of War.

Com a ausência das forças militares de governos estrangeiros no Afeganistão, a região voltou a possuir de modo mais facilitado a interferência geoestratégica de seu vizinho de fronteira, a República Popular da China, e a não muito distante, mas ativa na região, a Federação Russa, com ambas as potências militares tentando encravar seus interesses políticos, militares e econômicos na região, mas não de modo convencional e formal.

Informes locais relatam a presença de mercenários russos ligados a uma organização denominada como Meridian Orbis Group estão atuando em algumas regiões do Afeganistão, inclusive arredores de Cabul à um raio de 90 km, homens com materiais armamentos semelhantes aos usados pelas forças especiais russas, e que estariam na região sob ordens do Kremlin, através de um acordo sigiloso, cujo o objetivo que especulam analista; de treinar, formar e combater as forças do Talibã, para a retomada de territórios de interesses econômicos da Rússia, além de proteger os cidadãos afegãos, em especial as minorias étnicas e religiosas.

Na foto, combatentes da Aliança do Norte, hoje bem melhores equipados, treinados e motivados que a 20 anos atrás, graças aos amigos russos. Fonte: Indian Times.

Diversas fotos e vídeos estão a circular em redes sociais, como grupos no Telegram, de afegãos armados com armamentos e coletes balísticos de procedência russa ou soviética, arquivos esses que poderiam confundir até os mais experientes especialistas no assunto, levando-os a realizar afirmações errôneas que se trata de membros do Talibã. Mas na realidade sendo civis afegãos equipados, armados e treinados pela Meridian Orbis Group, para a doutrina de combate de resistência, com o reconhecimento e benção de Moscou.

Dados ligam que tais mercenários estariam sendo coordenados através de um ex agente do Serviço de Inteligência Estrangeiro da Federação Russa apelidado de Sanctions Buster, que estaria realizando o gerenciamento das ações pela facilitação de comunicação criptografada e imageamento satelital da Embaixada da Rússia em Caracas, Venezuela, e também por meios diplomáticos russos na própria capital afegã, Cabul.
Ao que tudo indica o Meridian Orbis Group seria uma Private Military Company (PMC), de alcance global, e registrada de forma legal em diversos países, com o único objetivo de atender de maneira mais eficaz e por mais tempo as ações e interesses de diversas nações ao redor do mundo, como se fosse um complemento para os serviços de inteligência e Forças Armadas dos países que a contratam.

Enquanto Forças Armadas convencionais são delegadas para permanecer em uma região de interesse por um período estabelecido de tempo, de maneira mais ostensiva, o Meridian Orbis Group instala-se por longos períodos de tempo, quase a perder de vista, evitando exposições e trabalhando através de engenharia social, instalando-se dentro dos seios políticos, religiosos, sociais e militares da região na qual está operando.

Combatentes da Aliança do Norte, agora com mobilidade e agilidade idêntica aos seus rivais Talebãs. Fonte; Indian Times.

Afegãos de diversas minorias étnicas, além de grupos rivais ao Talibã, estão a receber o apoio irrestrito dessa organização, em especial de uma seção reservada do MOG, de codinome ´´gloom´´, que se trata de ex integrantes de inteligência e operações especiais de unidades consagradas ao redor do mundo, além de homens e mulheres selecionados a dedo ao redor de diversas regiões, em diferentes países, que possuam habilidades incomuns ou acesso a postos-chaves.

Fontes seguras ao nosso portal alegam que um número por volta de 800 homens afegãos, compostos por ex militares, agricultores, líderes tribais e religiosos, estariam recebendo apoio militar e logístico da Meridian Orbis Group, com esses afegãos realizando as primeiras intervenções contra o Talibã com sucesso, levando a destruição de postos de controle, saqueamento de armamentos e mantimentos, além do assassinato de células importantes.

Afinal, porque o interesse russo?

A pergunta que inquieta a todos: quais os interesses da Rússia em derrotar o talibã por meio de uma guerra por procuração, através do financiamento e suporte de um braço privado armado?
Os caminhos para solucionar esse questionamento podem nos levar a diferentes respostas e cenários, mas se fossemos seguir o mais obvio em um primeiro momento, seria os recursos minerais do Afeganistão, com o país possuindo reservas estimadas em até US$ 3 trilhões em seu subsolo, com a nação centro asiática detendo cobre, cobalto e lítio, minerais esses extremamente essenciais para a indústria tecnológica cada vez mais destinada a economia verde, como o desenvolvimento de veículos elétricos.

Para Rod Schoonover, cientista especializado em mudanças climáticas e ex-funcionário de inteligência americana, o Taleban ´´não apenas possui depósitos de pedras preciosas, mas também possui minerais que são vitais para a produção industrial mundial, como o ferro, especialmente parte do recurso mais crítico no processo de transformação econômica ambiental no século 21´´.

Na imagem; Dois mapas divulgados ao público pela primeira vez neste mês ilustram a vasta riqueza de depósitos minerais na nação devastada pela guerra do Afeganistão. Os mapas, criados por meio de um esforço conjunto do Serviço Geológico dos EUA e da Força-Tarefa para Operações de Negócios e Estabilidade do Departamento de Defesa , são os primeiros de seu tipo a fornecer cobertura em larga escala de um país usando uma tecnologia chamada de imagem hiperespectral, que mede o refletância do material na superfície da Terra simultaneamente através de uma faixa contínua de comprimentos de onda divididos em intervalos de 10 a 20 nanômetros. Mais de 800 milhões de pixels individuais de dados foram coletados durante um período de 43 dias em 2007 por uma aeronave da NASA. Cada ponto de dados foi então “Em comparação com entradas de espectro de referência em uma biblioteca espectral de minerais, vegetação, água, gelo e neve, a fim de caracterizar os materiais de superfície em toda a paisagem afegã.”
Fonte: https://www.newsecuritybeat.org/2012/07/new-usgs-report-and-maps-highlight-afghanistans-mineral-potential-but-obstacles-remain/

Por centenas de anos, a comunidade internacional sabe que a região onde o Afeganistão está localizado é rica em minerais. Mas foram nas décadas de 1960 e 1970, as tropas soviéticas mapearam pela primeira vez a composição geológica do Afeganistão, que foi o resultado de uma série de colisões entre placas tectônicas que liberaram parte do manto e do magma na superfície da Terra.
A exemplo dos carros elétricos, sua fabricação e funcionamento, demandam em média seis vezes mais minerais, como lítio e cobalto, dos que os convencionais.

Assim, é fácil entender porque, nos próximos nove anos, a projeção é que a demanda mundial por lítio aumente cerca de quatro vezes. Já a demanda por terras-raras deve quase triplicar até 2030.

Fonte: Indian Times.

Seguindo essa linha de raciocínio fica tênue a compreensão da Rússia querer acesso a tais recursos minerais, ainda mais com a União Europeia planejando até 2035 eliminar todos os veículos movidos a combustão. O país que possuir acesso as diversas fontes primarias ao redor do mundo para a revolução verde irá se beneficiar com ganhos econômicos colossais, além do monopólio de recursos, e a Rússia não quer ficar para atrás nessa corrida.

  • Por redação Orbis Defense Europe/Praga.


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