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Iraque liga alerta após EUA encerrarem missões de combate

Para o governo iraquiano, a retirada declarada das tropas de combate foi uma vitória política.

Em 20 de março de 2003, o presidente Bush anunciou que as forças dos EUA iniciaram uma operação militar no Iraque, os estágios iniciais do que seria uma campanha ampla e combinada, um esforço inicial para “decapitar” a liderança do Iraque com ataques aéreos, abrindo caminho para uma invasão terrestre.

Cerca de 19 dias depois, as forças de coalizão formada, EUA, Reino Unido e Canadá e outras, rapidamente oprimem o Exército iraquiano de Saddam, que passam a forma um núcleo da luta da insurgência no pós-guerra. Três semanas após a invasão, civis iraquianos e soldados americanos derrubam uma estátua de Saddam na Praça Firdos, em Bagdá, o símbolo real da queda do regime no país.

Em 18 de dezembro de 2011, os últimos soldados americanos na missão de guerra e controle deixaram o Iraque, encerrando quase nove anos de combate. Desde 2003, mais de um milhão de aviadores, soldados, marinheiros e fuzileiros navais serviram no país. Os custos do conflito foram altos, US$ 800 bilhões do Tesouro dos EUA, com quase 4.500 americanos e mais de 100.000 iraquianos ceifados.

Os militares dos EUA retiraram-se do Iraque em 2011, depois de não conseguir negociar um acordo de status das forças com o governo iraquiano. Três anos depois, o governo iraquiano pediu o retorno das tropas para ajudar a expulsar o EI, que conquistou um terço do Iraque e grande parte da Síria em 2014.

Apesar do retorno e vitória sobre o EI, os soldados americanos permaneceram no país para fins diplomáticos, transição política e treinamento das forças armadas iraquianas, pois bem, o fim das tropas, independente da função, sempre foi tema e promessas de campanha.

Em 26 de julho deste ano, o presidente Joe Biden e o primeiro-ministro iraquiano Mustafa al-Kadhimi anunciaram que chegaram a um acordo para encerrar a missão de combate dos militares dos EUA no Iraque até o final do ano, mais de 18 anos após o envio de tropas americanas.

Na ocasião, havia 2.500 soldados americanos ajudando as forças locais a conter a ameaça dos elementos remanescentes do grupo insurgente EI. Segundo o Primeiro-ministro iraquiano, talvez sofrendo de vertigem da longa viagem ou simplesmente por possuir péssimos assessores, insistiu que o Iraque não precisa mais da ajuda das forças de combate dos EUA.

Pois bem, cinco meses após o encontro, a coalizão global liderada pelos EUA contra o EI no Iraque encerrou sua missão de combate, quatro anos depois de ajudar a derrotar o grupo insurgente e horrendo naquele país.

A Casa Branca confirmou nessa segunda-feira, 13 de dezembro, que não há mais forças de combate americanas no Iraque. De acordo com a própria Casa Branca, o assistente do presidente e coordenador de Joe Biden para assuntos do Oriente Médio e do Norte da África, Brett McGurk, concluiu uma visita de dois dias ao Iraque, onde consultou o grupo de líderes políticos e de segurança que se encontraram em Bagdá com o presidente Barham Salih e o primeiro-ministro iraquiano Mustafa Al-Kadhimi em Erbil, com o Presidente da Região do Curdistão, Nechirvan Barzani.

McGurk confirmou durante as reuniões, o compromisso do presidente Biden com os resultados do diálogo estratégico com o governo do Iraque, e que não há mais forças americanas servindo em um papel de combate no Iraque, e esta transição se tornou possível, devido ao tremendo progresso alcançado pelas forças de segurança iraquianas.

Apesar do anúncio da inatividade das forças da coalizão em missões de combate no país, as forças restantes ainda estarão presentes a convite do governo iraquiano com uma missão limitada de fornecer aconselhamento, assistência e capacitar as forças de segurança nacionais para garantir que grupos insurgentes não voltem a emergir.

A última rodada de diálogo com a coalizão internacional, iniciada no ano passado, chegou ao fim, e junto às missões de combate da coalizão, que tem seus dias contados até o final do ano, quando a retirada oficial das tropas serão concretizadas como já planejado em julho deste ano.

A intenção da frente de coalizão liderada por Biden é bonita no papel, mas uma incerteza tão certa quanto ao ocorrido no Afeganistão que custou a estabilidade do governo, a liberdade e a segurança da sociedade afegã, e para atenuar o fracasso e a vergonha das ações, os EUA apoiaram o levante do grupo insurgente que se tornou um governo centralizador e autoritário.

Embora o anúncio tenha sinalizado a última mudança na missão no Iraque desde a invasão há 18 anos, a mudança não reduz o número de forças americanas no país; em vez disso, manterá o mesmo número de soldados ainda em cerca de 2.500 no terreno em funções de apoio.

Para o governo iraquiano, a retirada declarada das tropas de combate foi uma vitória política destinada a rechaçar a pressão dos partidos políticos apoiados pelo Irã e das milícias que se opõem a qualquer presença de forças dos EUA, rejeição total e sanguinária após Qassem soleimani ser ceifado numa operação majestosa liderada pelos americanos próxima ao aeroporto internacional de Bagdá.

O grupo de milícia Harakat Hezbollah Al-Nujaba, que agora faz parte das forças de segurança do governo iraquiano, disse que “não confia em nenhuma promessa” feita pelos Estados Unidos.

Segundo o grupo, se as forças dos EUA não se retirarem no final do ano, isso pode ser definido apenas como uma ocupação. A milícia está entre as forças paramilitares mobilizadas em 2014 para lutar contra o EI e mais tarde foi absorvida pelas forças de segurança oficiais do Iraque e colocada na folha de pagamento pública, grande parte financiada pelo próprio governo americano.

Embora o EI não tenha mais território, mantém células dormentes no Iraque e na Síria. Recentemente, reapareceu em uma área do Iraque reivindicada tanto pelo governo federal quanto pelas forças curdas iraquianas, caso haja enfraquecimento da estabilidade da coalização sem estratégia plena, o Iraque se tornará um Afeganistão, porém gradualmente.

Com informações de CFR, Daily Mail, INA IQ, White House Official, NYTimes, Felipe Moretti

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Felipe Moretti
Analista militar com foco em mídia de streaming, com experiência superior a 4 anos em plataformas como o YouTube e Revistas Eletrônicas, no qual é fundador e administrador do canal Área Militar. Possui capacidade técnica para a colaboração e análises em assuntos que envolvam os meios de preservação e manutenção da vida humana, em cenários de paz ou conflito.
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