Mundo – Corrida contra o tempo para resgatar vítimas das enchentes no Brasil após dezenas de mortos

Por Carlos FABAL AFP

As autoridades corriam contra o tempo no domingo para resgatar pessoas de enchentes e deslizamentos de terra que mataram mais de 50 pessoas e forçaram quase 70 mil a fugir de suas casas no sul do Brasil.

Vista do ar, Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, está completamente alagada, com ruas alagadas e telhados de algumas casas pouco visíveis.

O rio Guaíba, que atravessa a cidade de 1,4 milhão de habitantes, atingiu um nível recorde de 5,09 metros (16,9 pés), segundo o município local, bem acima do pico histórico de 4,76 metros que era um recorde desde o devastador ano de 1941. inundações.

A água ainda avançava para Porto Alegre, economicamente importante, e cerca de uma centena de outras localidades, com consequências cada vez mais dramáticas.

Além de cerca de 70 mil moradores forçados a deixar suas casas, a agência de defesa civil do Brasil também disse que mais de um milhão de pessoas não tinham acesso a água potável durante as enchentes, descrevendo os danos como incalculáveis.

A agência estimou o número de mortos em 55, embora não inclua duas pessoas mortas na explosão em um posto de gasolina inundado em Porto Alegre, testemunhada por um jornalista da AFP.

Pelo menos 74 pessoas também estão desaparecidas, disse.

Rosana Custódio, uma enfermeira de 37 anos, fugiu de sua casa inundada em Porto Alegre com o marido e três filhos.

“Durante a noite de quinta-feira as águas começaram a subir muito rapidamente”, disse ela à AFP por mensagem de WhatsApp.

“Com pressa, saímos em busca de um lugar mais seguro. Mas não podíamos andar… Meu marido colocou nossos dois pequeninos em um caiaque e remou com um bambu. Meu filho e eu nadamos até o fim da rua”, disse ela.

A família dela estava segura, mas “perdemos tudo o que tínhamos”.

– ‘É assustador’ –

As chuvas diminuíram na noite de sábado, mas devem continuar pelas próximas 24 a 36 horas, com as autoridades alertando sobre deslizamentos de terra.

As autoridades lutaram para evacuar bairros inundados enquanto as equipes de resgate usavam veículos com tração nas quatro rodas – e até jet skis – para manobrar em águas que chegavam à cintura em busca dos presos.

Governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite disse que seu estado, normalmente um dos mais prósperos do Brasil, precisaria de um “Plano Marshall” de investimentos pesados ??para reconstruir após a catástrofe.

Longas filas se formaram enquanto as pessoas tentavam embarcar nos ônibus em muitos lugares, embora os serviços de ônibus de e para o centro da cidade tenham sido cancelados.

O aeroporto internacional de Porto Alegre suspendeu todos os voos nesta sexta-feira por tempo indeterminado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva postou um vídeo de um helicóptero depositando um soldado no topo de uma casa, que então usou um tijolo para fazer um buraco no telhado e resgatar um bebê enrolado em um cobertor.

A velocidade da subida das águas enervou muitos.

“É assustador porque vimos a água subir de uma forma absurda, subiu numa velocidade muito alta”, disse Greta Bittencourt, jogadora profissional de pôquer de 32 anos.

– ‘Vai ser muito pior’ –

Com as águas começando a ultrapassar um dique ao longo de outro rio local, o Gravataí, o prefeito Sebastião Melo emitiu um alerta severo na plataforma de mídia social X, dizendo: “As comunidades devem sair!”

Ele pediu às pessoas que racionassem a água depois que quatro das seis estações de tratamento da cidade tiveram que ser fechadas.

Leite, o governador, disse em transmissão ao vivo no Instagram que a situação era “absolutamente inédita”, a pior da história do estado, que abriga a produção agroindustrial de soja, arroz, trigo e milho.

As áreas residenciais estavam submersas até onde a vista alcançava, com estradas destruídas e pontes varridas por fortes correntes.

As equipes de resgate enfrentaram uma tarefa colossal, com cidades inteiras inacessíveis.

Pelo menos 300 municípios sofreram danos causados ??por tempestades no Rio Grande do Sul desde segunda-feira, segundo autoridades locais.

– ‘Coquetel desastroso’ –

Cerca de um terço dos deslocados foram levados para abrigos instalados em centros desportivos e escolas.

As chuvas também afetaram o sul do estado de Santa Catarina.

Lula, que visitou a região na quinta-feira, atribuiu o desastre às mudanças climáticas.

As tempestades devastadoras foram o resultado de um “cocktail desastroso” de aquecimento global e do fenómeno climático El Nino, disse o climatologista Francisco Eliseu Aquino à AFP na sexta-feira.

O maior país da América do Sul passou recentemente por uma série de eventos climáticos extremos, incluindo um ciclone em setembro que matou pelo menos 31 pessoas.

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